A psicologia explica: conversar com quem já morreu pode ser mais normal do que você imagina
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 18:17
Siga o Purepeople no Google Adicione-nos às suas fontes preferidas
Conversar com quem já morreu pode fazer parte da elaboração do luto; entenda o que a psicologia chama de 'continuing bonds'
A psicologia explica: conversar com quem já morreu pode ser mais normal do que você imagina Cena de 'Quem Ama Cuida' mostra personagem visitando o túmulo de uma pessoa que morreu e pedindo perdão Visitar o túmulo de alguém que morreu pode fazer parte dos rituais de luto, segundo artigo publicado pelo Psychology Today Cena de 'Quem Ama Cuida' levanta uma questão sobre o luto: por que algumas pessoas continuam conversando com quem já morreu? Cemitério vira cenário de 'Quem Ama Cuida' enquanto personagem mantém um diálogo simbólico com alguém que morreu

O cemitério voltou a aparecer com tudo em "Quem Ama Cuida". Nesta quinta-feira (3), Diná (Rosi Campos) irá até o túmulo de Francesca (Nathalia Dill), antiga funcionária da mansão de Arthur (Antonio Fagundes), para pedir perdão pela maneira como a tratou em vida. A governanta colocará flores sobre a sepultura e confessará seu arrependimento, sem perceber que Otoniel (Tony Ramos) estará observando a cena de longe. Eita!

A sequência chama atenção porque, na vida real, visitar o túmulo de alguém querido, falar com essa pessoa ou realizar outros rituais relacionados à morte não é necessariamente interpretado pela psicologia como algo estranho. Um artigo publicado em abril de 2026 pelo site especializado Psychology Today explica que essas atitudes podem fazer parte da maneira como algumas pessoas elaboram a perda.

O que significa manter um vínculo com quem morreu?

No artigo "Getting Closer to the Bones", publicado na seção dedicada ao luto, Diane N. Solomon, Ph.D., enfermeira profissional especializada em psiquiatria e professora adjunta da OHSU, aborda justamente a relação que pode continuar existindo entre uma pessoa enlutada e alguém que morreu.

Solomon explica que a compreensão sobre o luto mudou ao longo do tempo. Segundo ela, experiências como sentir a presença de alguém que morreu ou ouvir sua voz, especialmente após a perda, já foram interpretadas automaticamente como alucinações. 

Atualmente, existe o conceito de "continuing bonds", traduzido como "vínculos contínuos", para descrever a manutenção de uma relação com a pessoa falecida. No artigo, Solomon afirma que esse vínculo pode ser uma relação normal e saudável mesmo muito tempo depois da morte.

A ideia ajuda a entender por que o fim da vida física não significa necessariamente o desaparecimento imediato de uma relação afetiva. A pessoa que ficou pode continuar conversando mentalmente com quem morreu, lembrar de seus ensinamentos, guardar objetos, ouvir músicas associadas a ela ou criar novos rituais para preservar sua memória.

Veja também
'Nunca falei isso, mas...': Neymar se manifesta após declaração sobre pensão dos filhos viralizar na web
Visitar o túmulo também pode fazer parte do luto

O próprio título do artigo do Psychology Today coloca a questão de maneira direta: visitar um túmulo - ou realizar outros rituais depois da morte - pode ajudar quem está de luto? Solomon cita a visita ao cemitério entre os exemplos de práticas realizadas por pessoas enlutadas, ao lado de acender velas, escrever cartas, ouvir músicas de que o falecido gostava e marcar aniversários ou a data da morte.

A autora destaca que não existe uma única maneira de viver o luto. Os rituais podem ser individuais ou coletivos e variam de acordo com cada pessoa e com a relação que ela tinha com quem morreu. Entre os exemplos estão ainda visitar o local onde as cinzas foram espalhadas, vestir uma peça que pertencia ao falecido, assistir a filmes de que ele gostava ou retornar a lugares que eram importantes para aquela pessoa.

Ou seja, o gesto de ir ao cemitério não precisa ter apenas o significado de "se despedir". Para algumas pessoas, aquele espaço pode representar uma maneira concreta de preservar uma relação afetiva que continua existindo internamente.

E quando a pessoa conversa com quem já morreu?

É justamente nesse ponto que o conceito de vínculos contínuos ganha força. No artigo, Solomon explica que esses vínculos representam uma nova relação, internalizada, com a pessoa querida que morreu. Ela também afirma que os rituais podem ajudar, com o passar do tempo, a compreender uma realidade dolorosa: alguém que teve grande importância na vida deixou de existir fisicamente.

Isso não significa, necessariamente, acreditar que o morto continua vivo fisicamente. Trata-se de reconhecer que uma relação afetiva pode ganhar outra forma depois da morte.

Por isso, atitudes como falar em voz alta diante de uma fotografia, contar uma novidade para alguém que já morreu, escrever uma carta que nunca será enviada ou conversar mentalmente com essa pessoa podem ser compreendidas dentro desse contexto de manutenção do vínculo.

Estudos citados pelo 'Psychology Today' ajudam a explicar os rituais

Para fundamentar o artigo, Solomon cita duas pesquisas publicadas na área de estudos sobre morte e luto. Uma delas, de 2021, investigou a função de funerais e rituais nas reações ao luto. A outra, publicada em 2024 na revista Death Studies, fez uma revisão sistemática sobre o impacto dos chamados continuing bonds após uma perda.

Ao resumir os estudos, a autora informa que, em uma amostra holandesa com mais de 550 participantes, 85% haviam participado de rituais individuais nos três anos seguintes à morte de uma pessoa querida, incluindo práticas como acender uma vela em casa e visitar o túmulo. Mais de metade também havia participado de rituais coletivos, como cerimônias memoriais ou encontros para compartilhar histórias sobre a pessoa que morreu.

Segundo o artigo, esses rituais podem facilitar o enfrentamento, a adaptação e a recuperação diante da perda. Ao mesmo tempo, Solomon faz uma ressalva: quando o sofrimento se torna persistente e interfere significativamente na vida da pessoa muito tempo depois da morte, pode haver um quadro de luto prolongado, que pode ser tratado.

Matérias relacionadas
Painel de LED, igrejinha, touro mecânico e prendas de luxo: os detalhes do arraiá fora de época de Neymar e Bruna Biancardi montado em apenas 48 horas
Painel de LED, igrejinha, touro mecânico e prendas de luxo: os detalhes do arraiá fora de época de Neymar e Bruna Biancardi montado em apenas 48 horas
Após confusão no vestiário e provocações em jogo do Santos, Neymar 'cutuca' presidente do Remo em iate com a família: 'Vagabundiando'
Após confusão no vestiário e provocações em jogo do Santos, Neymar 'cutuca' presidente do Remo em iate com a família: 'Vagabundiando'
R$ 120 milhões, seis suítes, heliponto e 800 m²: novo superiate de Neymar nasceu de embarcação de serviço e impressiona por detalhe inusitado
R$ 120 milhões, seis suítes, heliponto e 800 m²: novo superiate de Neymar nasceu de embarcação de serviço e impressiona por detalhe inusitado
Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
Sobre
Nathalia Dill
Nathalia Dill
Mistério de Francesca ganha reviravolta após atitude suspeita e inusitada de Diná em 'Quem Ama Cuida'; governanta tem reação desesperada
25 de agosto de 2026 às 10:20
Frase do dia de Confúcio, famoso filósofo chinês: 'Temos duas vidas, e a segunda começa quando compreendemos que só temos uma'
8 de agosto de 2026 às 05:59
Todos os itens
Palavras-chave
Famosos brasileiros Entretenimento Principais notícias Curiosidades TV TV Globo Novela Quem Ama Cuida Novelas Bem-estar